YOUCAT: Catecismo Jovem da Igreja Católica


A Igreja Católica sempre se preocupou em formar seus fiéis para que pudessem viver de modo coerente com o seu ensinamento. Os apóstolos de Jesus formaram comunidades de crentes nos primórdios do cristianismo e deram as indicações para que sua vida comum fosse possível a fim de que todos fossem “uma só alma e um só coração”.
Paulo e outros autores bíblicos enviaram cartas aos iniciados na fé, essas são direcionadas às comunidades, à pessoas específicas ou universais.  O teor das cartas é de exortação a fim de que haja perseverança no seguimento de Cristo.
            Também os Padres da Igreja, que através de bases filosóficas, teológicas, bíblicas e místicas, compuseram inúmeras cartas, livros e homilias a fim de que os fiéis pudessem compreender para crer, e crendo compreendessem, se nos apresentam como luzeiros desde os primeiros séculos do Cristianismo.
            De igual modo, houve momentos em que foram necessários concílios a fim de estabelecer de modo universal o Credo da Igreja, para que não houvesse divisões na profissão de fé dos crentes. Dos concílios dois nos legaram um Credo, foram os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla (381). O Credo ou Símbolo de Fé é uma profissão comum a muitos cristãos, além de proclamar dogmas de fé remete à própria missão batismal: Ide e evangelizai!
Assim sendo, com a necessidade de transmitir a fé e a moral cristã foram se formando a partir do Credo os chamados catecismos. Estes são verdadeiros compêndios do pensamento da Igreja, que ao longo do tempo foram se adaptando às necessidades dos fiéis.
            O atual catecismo em vigor foi aprovado e promulgado pelo papa João Paulo II há 20 anos. Ele está dividido em 4 partes: A PROFISSÃO DE FÉ (CREDO); A CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO CRISTÃO; A VIDA EM CRISTO  e  A ORAÇÃO CRISTÃ. 
            Este catecismo tem sido base para manuais ou catecismos adaptados de acordo com as necessidades pastorais de cada localidade. De tal modo as necessidades requereram um novo olhar sobre a evangelização da juventude, que surgiu a partir das Jornadas Mundiais da Juventude o desejo de produzir um material didático e de linguagem adequada aos jovens. Foi assim que surgiu o YOUCAT – O Catecismo Jovem da Igreja Católica.
            O YOUCAT surgiu graças ao cuidado do arcebispo de Viena, sua eminência Christoph Schönborn e já traduzido para muitas línguas tem despertado o interesse dos jovens católicos.          
O YOUCAT segue a estrutura do catecismo oficial, além da parte gráfica envolve os leitores com citações de filósofos, padres, bispos, místicos, santos, papas, entre outros. Está, ainda, configurado em forma de perguntas e respostas.
De maneira cativante o YOUCAT revela através da linguagem visual a importância do simbólico na dimensão religiosa. Há nele fotografias de reuniões de fiéis, momentos de oração, da hierarquia, das vestes sagradas, também gráficos do tempo litúrgico e suas festas expressando a sua centralidade em Cristo.
Gravuras e desenhos retratam as estações da via-sacra, os sacramentos, entre outros. E envolvendo os leitores que são apaixonados pelas novas tecnologias, no YOUCAT se encontra também o QR CODE, espécie de código de barras em duas dimensões, que pode ser lido através de aplicativos nos celulares, tablets, entre outros. Ao ler o QR CODE o jovem é direcionado a descobrir mais sobre a fé da Igreja, a Bíblia e a comunhão eclesial de uma forma dinâmica.
Percebe-se que é possível dinamizar o ensino e a transmissão de doutrinas antigas utilizando-se de meios modernos e acessíveis às novas gerações.
Entretanto, devido à diversidade linguística e principalmente estilística de um país lusófono para outro, a tradução em língua portuguesa está mais conforme com os portugueses do que com os brasileiros.
Prefaciado pelo papa Bento XVI o YOUCAT tornou-se um instrumento de evangelização e revitalização da fé em muitos lugares. O pedido do papa é que os jovens partilhem suas experiências com o Catecismo Jovem em grupos de estudo e através das redes sociais na internet (novo ambiente de evangelização).  Os jovens atendendo ao pedido do papa espalham trechos do YOUCAT no Facebook, enviam vídeos pelo Youtube, reúnem-se nas paróquias e partilham entre si questionamentos acerca do catecismo e dos artigos de fé.
            O YOUCAT chega às mãos dos jovens brasileiros em um momento de grande entusiasmo e renovação da vida cristã: a preparação para a 27ª Jornada Mundial da Juventude, que se dará no Rio de Janeiro em 2013; os 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II e o Ano da Fé, que será aberto dia 11 de outubro de 2012 e se estenderá até a solenidade litúrgica de Cristo Rei, em novembro de 2013. 
            Espera-se que mais jovens se aproximem deste precioso material, por isso a Ajuda à Igreja que Sofre, entidade que colabora nas ações de evangelização, pretende distribuir meio milhão de YOUCATs aos brasileiros, sem nenhum custo para eles.
            Esperamos que a motivação dos jovens faça surgir uma primavera de aprofundamento no YOUCAT onde ainda não há iniciativas para sua difusão, estudo e partilha.
           
Frei Luis Hernandes Matos Leite, OSA

O ANO DA FÉ


Ao longo da história da Igreja Católica, alguns de seus membros, especialmente os bispo, se reúnem em ocasiões especiais em vista de esclarecer pontos doutrinais e/ou pastorais: essas reuniões são chamadas de Concílio. O último Concílio foi convocado pelo papa João XXIII e iniciou-se em 11 de outubro de 1962. Com a sua morte em 3 de junho de 1963, foi eleito papa o cardeal Montini, arcebispo de Milão, que tomou o nome de Paulo VI, e em 29 de setembro de 1963 continuou os trabalhos do grande Concílio Ecumênico Vaticano II.
Para celebrar os 50 anos de abertura do Concílio o papa Bento XVI proclamou o Ano da Fé. Este se iniciará em 11 de outubro de 2012 e se estenderá até a solenidade litúrgica de Cristo Rei do Universo de 2013, em 24 de novembro. O desejo do Santo Padre é infundir nos cristãos um anseio de aprofundamento e redescoberta da Fé da Igreja.
Neste viés de celebração, percebe-se que para analisar e interpretar o Concílio precisa-se de uma hermenêutica justa e adequada, para posteriormente termos uma excelente chave para aplicação. Os problemas começaram desde a recepção do Concílio, confrontando-se entre si duas formas de leitura contrárias que Bento XVI chama de “hermenêutica da descontinuidade e ruptura” e “hermenêutica da reforma”.
Assim expressou o Santo Padre: “Uma causou confusão, a outra, de maneira silenciosa mas cada vez mais visível deu frutos. Por um lado, dá-se uma interpretação que com frequência pôde servir-se da simpatia dos meios de comunicação, e também de uma parte da teologia moderna. Por outra parte, dá-se a renovação na continuidade do único sujeito-Igreja, que o Senhor nos deu; é um sujeito único do Povo de Deus em caminho. A hermenêutica da descontinuidade corre o risco de acabar em uma ruptura entre a Igreja pré-conciliar e a Igreja pós-conciliar. Afirma que os textos do Concílio como tal não seriam a autêntica expressão do espírito do Concílio. Precisamente porque os textos refletiriam somente de maneira imperfeita o verdadeiro espírito do Concílio e sua novidade, seria necessário ir valentemente mais além dos textos, deixando espaço à novidade na que se expressaria a intenção mais profunda, ainda que todavia não clara, do Concílio. Em uma palavra, não haveria que seguir os textos do Concílio, mas seu espírito”.
 E continua Bento XVI: “A hermenêutica da descontinuidade se opõe à hermenêutica da reforma, como a apresentaram em primeiro lugar o Papa João XXIII, e depois o Papa Paulo VI”.
Portanto, o Concílio Vaticano II é um imenso dom de Deus para a Igreja e para o início do milênio.  O que é justo neste ano jubilar é ler corretamente os documentos deixados a nós pelos padres conciliares, tendo em vista que a Igreja não nasceu nos últimos 50 anos, outra proposta do Santo Padre é que os crentes leiam o Catecismo da Igreja Católica e através dele compreendam o próprio credo a fim de professá-lo com consciência e amor.
Com o Concílio Vaticano II a Igreja Católica continua e renova sua história de peregrina nesta terra. Uma coisa é certa, podemos renovar a Igreja na continuidade da Tradição e do Magistério. O que nos fica claro é que a Igreja, tanto antes como depois do Concílio, é a mesma Igreja una, santa, católica e apostólica, em caminho através dos tempos.

POR QUE SER RELIGIOSO?


 A valorização do humano perpassa as dimensões do consumo e da posse. Hoje, as pessoas são valorizadas a partir do que ostentam. O humano, entretanto, é muito maior que tais produtos, pois a nossa vida é marcada por coisas que não conseguem ser traduzidas apenas por objetos. Na atual conjuntura, na qual a máxima é o ter, o que nos distingue dos outros seres é justamente a dimensão de ser-de-consciência.
            Ter consciência é perceber que sua existência está para além do tempo cronológico. Remeter sua existência para sonhos, desejos - que traduzimos para a palavra felicidade. Não entremos no debate do que venha a ser a felicidade, mas simplesmente pontuemos felicidade como um desejo além de. A maioria das propagandas vão para além do objeto, com o consumo, se vende o sonho, a satisfação dos desejos, ou seja a própria felicidade.
            Religião, do latim religare, significa ligar, estabelecer ligação com algo mais. Por isso o religioso aspira, acredita em uma vida pós-morte. Esta aspiração pós-morte acontece na minha vida, meu cotidiano, assim sendo temos a necessidade de ir além, o que os religiosos chamam de transcender.
            Ser religioso  é um vir-a-ser, sendo. A busca por ser religioso consiste em descobrir novos significados.  Fazer da sua história um re-significado para além do consumo.
            Para nós, que somos consumidores, demonstrar que somos religiosos é como um homem que nada no rio, e resolve ir contra a correnteza. Dentro desta história, observamos que o rio tem um aspecto natural, e nós rompemos essa naturalidade quando nadamos contra a correnteza, e, portanto, criamos algo artificial.
            Em nossa sociedade de consumo, utilizando esta analogia, entendemos que consumir é artificial, e ser religioso é natural. Portanto, ser religioso é uma manifestação profundamente humana, isto é, mergulhar no interior do humano, e ir além daquilo que apresentamos.
            Busquemos a felicidade, e aê?