A valorização do humano perpassa as dimensões do consumo e da posse. Hoje, as pessoas são valorizadas a partir do que ostentam. O humano, entretanto, é muito maior que tais produtos, pois a nossa vida é marcada por coisas que não conseguem ser traduzidas apenas por objetos. Na atual conjuntura, na qual a máxima é o ter, o que nos distingue dos outros seres é justamente a dimensão de ser-de-consciência.
Ter consciência é perceber que sua existência está para além do tempo cronológico. Remeter sua existência para sonhos, desejos - que traduzimos para a palavra felicidade. Não entremos no debate do que venha a ser a felicidade, mas simplesmente pontuemos felicidade como um desejo além de. A maioria das propagandas vão para além do objeto, com o consumo, se vende o sonho, a satisfação dos desejos, ou seja a própria felicidade.
Religião, do latim religare, significa ligar, estabelecer ligação com algo mais. Por isso o religioso aspira, acredita em uma vida pós-morte. Esta aspiração pós-morte acontece na minha vida, meu cotidiano, assim sendo temos a necessidade de ir além, o que os religiosos chamam de transcender.
Ser religioso é um vir-a-ser, sendo. A busca por ser religioso consiste em descobrir novos significados. Fazer da sua história um re-significado para além do consumo.
Para nós, que somos consumidores, demonstrar que somos religiosos é como um homem que nada no rio, e resolve ir contra a correnteza. Dentro desta história, observamos que o rio tem um aspecto natural, e nós rompemos essa naturalidade quando nadamos contra a correnteza, e, portanto, criamos algo artificial.
Em nossa sociedade de consumo, utilizando esta analogia, entendemos que consumir é artificial, e ser religioso é natural. Portanto, ser religioso é uma manifestação profundamente humana, isto é, mergulhar no interior do humano, e ir além daquilo que apresentamos.
Busquemos a felicidade, e aê?
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