Ao longo da história da Igreja
Católica, alguns de seus membros, especialmente os bispo, se reúnem em ocasiões
especiais em vista de esclarecer pontos doutrinais e/ou pastorais: essas
reuniões são chamadas de Concílio. O último Concílio foi convocado pelo papa
João XXIII e iniciou-se em 11 de outubro de 1962. Com a sua morte em 3 de junho
de 1963, foi eleito papa o cardeal Montini, arcebispo de Milão, que tomou o
nome de Paulo VI, e em 29 de setembro de 1963 continuou os trabalhos do grande Concílio Ecumênico Vaticano II.
Para celebrar os 50 anos de abertura
do Concílio o papa Bento XVI proclamou o Ano da Fé. Este se iniciará em 11 de
outubro de 2012 e se estenderá até a solenidade litúrgica de Cristo Rei do
Universo de 2013, em 24 de novembro. O desejo do Santo Padre é infundir nos
cristãos um anseio de aprofundamento e redescoberta da Fé da Igreja.
Neste viés de celebração, percebe-se
que para analisar e interpretar o Concílio precisa-se de uma hermenêutica justa
e adequada, para posteriormente termos uma excelente chave para aplicação. Os
problemas começaram desde a recepção do Concílio, confrontando-se entre si duas
formas de leitura contrárias que Bento XVI chama de “hermenêutica da
descontinuidade e ruptura” e “hermenêutica da reforma”.
Assim expressou o Santo Padre: “Uma
causou confusão, a outra, de maneira silenciosa mas cada vez mais visível deu
frutos. Por um lado, dá-se uma interpretação que com frequência pôde servir-se
da simpatia dos meios de comunicação, e também de uma parte da teologia
moderna. Por outra parte, dá-se a renovação na continuidade do único
sujeito-Igreja, que o Senhor nos deu; é um sujeito único do Povo de Deus em
caminho. A hermenêutica da descontinuidade corre o risco de acabar em uma
ruptura entre a Igreja pré-conciliar e a Igreja pós-conciliar. Afirma que os
textos do Concílio como tal não seriam a autêntica expressão do espírito do
Concílio. Precisamente porque os textos refletiriam somente de maneira
imperfeita o verdadeiro espírito do Concílio e sua novidade, seria necessário
ir valentemente mais além dos textos, deixando espaço à novidade na que se
expressaria a intenção mais profunda, ainda que todavia não clara, do Concílio.
Em uma palavra, não haveria que seguir os textos do Concílio, mas seu
espírito”.
E continua Bento XVI: “A hermenêutica da
descontinuidade se opõe à hermenêutica da reforma, como a apresentaram em
primeiro lugar o Papa João XXIII, e depois o Papa Paulo VI”.
Portanto, o Concílio Vaticano II é um
imenso dom de Deus para a Igreja e para o início do milênio. O que é justo neste ano jubilar é ler
corretamente os documentos deixados a nós pelos padres conciliares, tendo em
vista que a Igreja não nasceu nos últimos 50 anos, outra proposta do Santo
Padre é que os crentes leiam o Catecismo da Igreja Católica e através dele
compreendam o próprio credo a fim de professá-lo com consciência e amor.
Com o Concílio Vaticano II a Igreja
Católica continua e renova sua história de peregrina nesta terra. Uma coisa é
certa, podemos renovar a Igreja na continuidade da Tradição e do Magistério. O
que nos fica claro é que a Igreja, tanto antes como depois do Concílio, é a
mesma Igreja una, santa, católica e apostólica, em caminho através dos tempos.
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