O que é cristianismo Católico?


O que ficou conhecido como cristianismo, inicialmente era uma resposta à espantosa saturação de normas e formas para a relação do homem com Deus. O ponto crucial era crer em Jesus como Senhor e salvador: "Porque, se confessares com tua boca que Jesus é Senhor e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Romanos 10,9).
Para que houvesse a consolidação o cristianismo nascente, foi necessário determinar os princípios centrais da fé cristã. Foi assim que passaram a existir os dogmas que estabeleceram o que é o ensinamento cristão correto. Gradualmente, os dogmas foram incorporados a credos. O mais antigo desses credos cristãos é o Credo dos Apóstolos, que em sua forma inicial data da Igreja de Roma do século III. Mais tarde o dogma cristão também foi formulado no Credo do Concilio de Nicéia (século IV) e no Credo de Santo Atanásio (século v).
A cristandade era majoritariamente Católica até 1054, quando ocorreu o cisma que a dividiu em duas: Católica Romana e Ortodoxa. No século XVI ocorreu a Reforma Protestante, quando diversas comunidades da Igreja se levantaram em protesto contra certos aspectos da doutrina e da prática da Igreja Católica. Depois disso surgiram e continuam a surgir novas igrejas, destacando certos aspectos do evangelho cristão, com diferentes organizações, doutrinas, ordens e atitudes sociais. Essa multiplicidade de formas surge de visões distintas a respeito de alguns aspectos da mensagem da Bíblia e das condições históricas e culturais nas quais elas foram constituídas. Do mesmo modo, condições étnicas, psicológicas, sociológicas e geográficas desempenharam um papel nas cisões da Igreja.
No decorrer da história, todavia, criou-se uma diferença muito grande entre o Cristo e o cristianismo, tão grande quanto a existente entre Jesus de Nazaré, filho de José e Maria, e Jesus Cristo, nascido por obra do Espírito Santo na Constelação da Virgem, na Cidade do Rei Davi em Belém da Judéia, segundo o mito hebraico do Messias. No entanto, não é objetivo desse artigo analisar a formação histórico-social das diversas interpretações e especulações doutrinárias do cristianismo. Mas, não se pode deixar passar em branco que o cristianismo é hoje acusado de responsável pelo falso puritanismo que dominou as nações cristãs e da consequente explosão da libertinagem moderna.
“O cristão, que se deixando levar, confiante, de interpretação em interpretação, não acabará detendo entre as mãos, em lugar da pepita de ouro, uma simples pedra de amolar, que poderá sossegadamente jogar no fundo de um rio?”-questionamento do Joseph Ratzinger (papa Bento XVI); Não seria este o momento de resgatar o cristianismo? Mas a partir de qual Jesus?  De qual interpretação doutrinária? - E aê?

Fr. Rafael Bruno

REFERÊNCIA:
GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O livro das religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
RATZINGER, Joseph. Introdução ao cristianismo: preleções sobre o símbolo apostólico. São Paulo: Herder, 1970.

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